Sempre em fuga,
Sempre em modo de sobrevivência.
Respirar não é suficiente,
é preciso refugiar.
Sem, saber de quê, é fugir,
sem olhar para trás,
sem pensar,
sem questionar,
simplesmente correr,
Sempre em modo de sobrevivência.
Respirar não é suficiente,
é preciso refugiar.
Sem, saber de quê, é fugir,
sem olhar para trás,
sem pensar,
sem questionar,
simplesmente correr,
sempre os poros,
esses poros na pele...
os poros abertos em alerta,
e sem descanso,
brotam gostas de suor sem pejo,
e o corpo faz o seu curso,
as reservas são para esta altura,
todos os centimetros de carne,
são usados,
e ainda que transpirado,
o corpo luta desenfreado,
e continua a consumir,
sem parar, sem se queixar,
não existe dor,
não existe tempo,
apenas o momento,
sem tréguas,
a vida está ali em câmara lenta,
em grande velocidade.
Tudo parece aquele instante,
a liberdade,
e a prisão.
Não existe visão,
não existe verdade.
Apenas sentir.
Apenas repelir olhar,
não olhar para atrás,
medo, pânico,
incapaz de ver,
apenas seguir em frente.
Sem reflectir,
sem ponderar,
sem tentar.
A selva parece estar em mim,
e não eu na selva,
por isso ela me encontra.
sempre que estou em apuros,
a selva apodera-se de mim.
os poros abrem-se,
e tudo recomeça.
Correr, correr, e sair dali.
o selvagem que me persegue,
que não me deixa parar de correr,
tem sempre um poder enorme.
Que me corroi,
que me faz pensar o pior,
que não me deixa relaxar.
que não me permite, acreditar.
não sei o que pensar,
quando sinto inconsistência,
falta de coerência,
qualquer coisa sem sentido,
ficou confusa,
sem conseguir perceber como reagir.
surge algo no radar,
desconhecido e não interpretado.
Fico nauseabunda,
preciso de entender,
preciso de estabilidade.
Preciso tanto de amor.
tudo no sitio certo,
tudo bem,
tudo com sentido.
ordem!
preciso de ordem.
porque a selva,
é o sitio onde os animais mordem.