Sem me perguntar nem porque sim nem porque não,
a minha cabeça é assaltada, por pensamentos
pensamentos do passado,
mas senti-os reticentes, angustiados,
queres pensar mesmo nisto, a sério?
outra vez esse exercício?
quantas vezes precisas de ir lá ver, de apalpar de sentir?
talvez milhares, milhões, sei lá,
e lá vieram disparados uns quantos pensamentos,
pedem licença, mas quando vou a ver estão "esparrameirados" na melhor sala,
nos melhores lugares, como quem diz, isto é tudo meu!
não sei para quê esses pruridos dizem eles,
a minha cabeça é assaltada, por pensamentos
pensamentos do passado,
mas senti-os reticentes, angustiados,
queres pensar mesmo nisto, a sério?
outra vez esse exercício?
quantas vezes precisas de ir lá ver, de apalpar de sentir?
talvez milhares, milhões, sei lá,
e lá vieram disparados uns quantos pensamentos,
pedem licença, mas quando vou a ver estão "esparrameirados" na melhor sala,
nos melhores lugares, como quem diz, isto é tudo meu!
não sei para quê esses pruridos dizem eles,
até porque sabes bem que quando vimos cá até trazemos pipocas.
E começam por aí fora, a discorrer e a questionar e a perguntar sem pudores,
Como é que te sentes, passado quase 10 anos do trágico fim?
e eu a patinar mas ao mesmo tempo firme, sinto-me tão bem que até estranho.
habituamo-nos a viver no medo, e na angústia tanto tempo que depois parece estranho não a sentir.
Pensei, pensei, a tentar encontrar a melhor forma de colocar em palavras o que sentia.
mas o sentimento não é feito de palavras.
as palavras não o acomodam no seu todo.
mas veio devagarinho em ondas
um tecto e um chão para se guiar
sem remorsos desta vez, com a dor apaziguada
com uma voz embargada ainda porque o sentimento do passado aflora
veio uma imagem, uma cara distorcida e ao mesmo tempo verdadeira do monstro
foi curioso porque não era o príncipe, não era o encantamento e idealização do passado,
parecia real, aparecia sem máscara, sem pós de pirlimpimpim...
E começam por aí fora, a discorrer e a questionar e a perguntar sem pudores,
Como é que te sentes, passado quase 10 anos do trágico fim?
e eu a patinar mas ao mesmo tempo firme, sinto-me tão bem que até estranho.
habituamo-nos a viver no medo, e na angústia tanto tempo que depois parece estranho não a sentir.
Pensei, pensei, a tentar encontrar a melhor forma de colocar em palavras o que sentia.
mas o sentimento não é feito de palavras.
as palavras não o acomodam no seu todo.
mas veio devagarinho em ondas
um tecto e um chão para se guiar
sem remorsos desta vez, com a dor apaziguada
com uma voz embargada ainda porque o sentimento do passado aflora
veio uma imagem, uma cara distorcida e ao mesmo tempo verdadeira do monstro
foi curioso porque não era o príncipe, não era o encantamento e idealização do passado,
parecia real, aparecia sem máscara, sem pós de pirlimpimpim...
e olhava para ele sem emoção,
um rosto conhecido mas desconhecido,
nos trejeitos estava lá, mas era ausente.
Algo que nunca consegui ver na minha cegueira.
a preto e branco, sem cor, sem alma
tudo fazia mais sentido.
Ainda perguntam os pensamentos, mas o que é que sentes?
já não questiono o que vivi,
porque era eu que não sabia viver, que precisava de outros para me suportarem
para me acolherem, para me dizerem o que merecia ou não,
o que fazia bem ou mal.
Quando é assim, estamos sujeitos ao escrutínio dos outros e como tal aos seus erros.
Não respondi.
Eu sei.
continua a ser difícil descrever o que se sente, porque o sentimento não se escolhe, nem se encolhe.
não existe qualquer desejo
não existe desespero
não existe amor
não existe emoção
mas ainda existe raiva
ainda existe a revolta
ainda existe a injustiça
e a vontade de repor a verdade.
Já não persigo nem tento fazer algo por isso.
Já confio mais no tempo.
Mas ainda sinto isto.
Ignorar não
Fingir não
Confrontar sempre
Falar sempre
Mais que tudo existe a memória,
existe a vontade de apagar algo ruim
que me manchou que me desviou de um caminho
e mais do que a pessoa
a revolta centra-se em mim, por ter aceite, por ter vivido, por me ter submetido
por não ter tido capacidade de sair e não voltar da 1ª vez,
ou ainda de ter feito um erro horrível de casting,
onde andava eu, o quão perdida estava por encontrar um sonho
um ideal, que me vendeu tão sobriamente,
e eu idolatrei-o como se fosse de cristal,
como se partisse, como o mais precioso da minha vida,
sentia algo tão distinto, tão forte, que era mais forte do que a própria visão do mal,
do que ouvir com todas as letras na minha língua o inimaginável horror,
ouvia bem, em alto e bom som, mas traduzia para outra mensagem.
Aquela linguagem ainda que agreste, significava sempre algo diferente.
em toda a lost of translation havia um pedido de desculpa,
mas porquê se eu tinha percebido bem e interpretado correctamente,
era um sinal, mais um que descurei.
e tantos outros, com todos os sentidos a buzinarem,
e eu a ignorar, a fugir, e achar que o mundo é que estava mal,
ninguém compreendia, ninguém sabia, só eu sabia e percebia tudo e nada.
Completamente absorta nas trincheiras, na micro vida,
como se o mundo fosse acabar, e nada mais era importante do que resolver, do que ajudar.
O mote foi sempre esse, ajuda-me.
Eis que ajudar parece ser algo que sou incapaz de recusar a alguém.
O que estará na origem de me recusar a ajudar.
O que me impede de dizer que não? não não te ajudo.
Não quero, não me apetece, não vou. não falo, não digo, não fico.
Nada impede, senão o peso da culpa, da vontade de ver os outros felizes de serem capazes.
porque eu sou capaz de tudo, eu aguento tudo, eu sou forte.
Eu suporto,
Eu faço
Eu digo
Eu dou o corpo às balas, porque eu sou capaz.
E assim me defino.
Assim me encontro.
Nesta índole, de capacidades dignas de uma fortaleza, e incapacidade de dizer um simples não!