Não me apetece,
Ontem apeteceu-me hoje não me apetece,
somos todos bipolares e inconsistentes?
ou apenas humanos com vontades?
Quere-me parecer que há humanidade em quem oscila,
em quem sente,
em quem se contradiz,
em quem quer muito ou pouco,
em quem ri e chora...
Mas com intensidade,
porque ousar sentir,
ousar arriscar,
pagar para ver, custa,
não pelo fracasso...
mas pela perda da esperança,
pela perda da vontade,
da alma, do encanto!
Permite o cansaço,
e desperta o desinteresse,
e a sensação de repetição de uma espécie de padrão.
Como saber se nos apetece?
Questiono muitas vezes os apeteceres,
às vezes parece que me apetece fazer algo,
mas na verdade não,
mas faço na mesma,
porquê?
porque gosto de me contrariar,
porque gosto de tentar outra forma,
porque penso que sou limitada até nas vontades,
porque hei-de ficar sempre pela a aposta segura?
porque não sair da zona de conforto?
quero ir ali,
fazer aquilo,
sentir mais,
ver muito,
ouvir mais,
falar menos,
e rir sempre muito,
e é com isso tudo que vivo!
sinto-me tão cheia,
a vida jorra em mim,
porque me sinto rica de mim,
dos outros,
e de vontades.
sim, a frustração também existe,
a consciência que nem tudo tem sucesso,
nem tudo o que faço se revela mágico,
ou concretizável,
há dores que nos aconchegam à noite,
mas que nos dão luta,
que nos fazem acordar no dia seguinte com mais alguma resolução.
Todos os dias, a minha check list aumenta e as prioridades são redefinidas e algumas adiadas,
de coração cheio sempre que sinto calor humano em sintonia comigo,
sempre que sinto que quem eu gosto está feliz.
Hoje almocei com um GRANDE amigo,
é grande em todos os aspectos,
e choro em quase todos os nossos almoços,
porque falamos a mesma língua,
porque tocamos a alma um do outro,
somos tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes,
temos um gap de tempo, ele entende...
mas hoje, falávamos do amor,
e ele estava triste por mim, por sentir que eu nunca o tinha sentido,
porque por sorte tem-me ajudado a perceber umas quantas coisas nesta minha imaturidade,
com quantas pessoas conseguimos falar assim?
enfim, mas eu consegui hoje definir-lhe o que penso que será o amor,
algo que nos permite sentir genuínamente a felicidade do outro,
uma pele que não é a nossa,
uma vida paralela,
longe e perto por um fio (outrora, agora é antenas e o camandro), ele também sabe...
percebe dessas cenas electrónicas e tal!
tantas memórias que partilhamos,
tanta "patience" que me cantou...
tantos anos de trocas de informação,
de gostar sentido,
de reforço positivo e mais que isso,
de estar sempre quando preciso dele.
Ele sente...e vem sempre em meu socorro, sou tão sortuda!!
Como não chorar, com tanta felicidade?
Ele dizia-me que não me quer fazer mal.
como poderia fazer-me mal, se sinto o seu amor por mim,
se sinto que me quer.
que sou importante e especial para ele.
Não são todas as pessoas que nos tocam,
São poucas.
São raras.
Dizia-lhe que me revolta termos um mundo só nosso.
Que não o quero só para mim.
que o quero partilhar com os outros amores da minha vida.
que não faz sentido ser apenas meu,
mas ele não é como eu,
ele não precisa de espalhar as emoções,
ele conserva-as no coração,
só para ele,
tenho que aceitar que não as vive da mesma forma,
não precisa de me ter para me ter,
que a vida que escolheu hoje,
é a que quer para ele,
escolhas!
também as fiz um dia,
e como tal hoje vivo o que resultou delas,
nada volta atrás!
mas é meu e dele este mesmo sentimento,
temo-nos! e gosto tanto disso!
cumplicidade tão boa!
o abraço apertado que se sente cá fora.
a vida apertada que escolhemos,
o olhar que nos prende na vida um do outro.
Prometo, apenas a ti! Nunca mais vou fugir...
Sem comentários:
Enviar um comentário