domingo, 13 de setembro de 2020

prisioneira de mim

a liberdade é castradora,
digo-o impiedosamente,
nada na liberdade nos liberta,
aprisiona-nos o sentimento de ser livres,
quando somos livres, somos obrigados a fazer escolhas,
a decidir,
a viver segundo a nossa vontade,
a responsabilidade é nossa,
a iniciativa ou a não iniciativa depende de nós,
temos que garantir coerência,
temos que ter estabilidade,
temos que provar capacidade,
temos que manter níveis de sanidade,
temos que controlar várias dimensões da vida em sociedade,
temos que lavar a cara,
temos que sair de casa,
cumprir regras,
sustentarmo-nos,
avaliar e sermos avaliados.

que raio de liberdade é esta?

a liberdade de pensar essa é livre,
mesmo que estejamos numa prisão de nível máximo,
a liberdade de poder dizer aquilo que ninguém ousa dizer...já não a temos,
a liberdade de expressão é uma falsa ilusão,

porque teimamos em querer ser livres,
a liberdade de pessoas é o que se pretende,
mas essa é utópica,
ser livre de deveres, mas manter direitos,
ser livre de dizer,
de fazer,
de não fazer,
de querer e não querer,

as liberdades invisíveis,
as liberdades comandadas sem ordens,
as liberdades confinadas em cada um,
as liberdades mudas



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