de quando em vez ainda salto a janela,
de quando em vez ainda salto do carro em andamento,
de quando em vez ainda tento escapar,
de quando em vez ainda sinto aquele rosnar feroz,
aquelas faíscas no ar, e o rugir do monstro,
de quando em vez ainda sinto a sua raiva, a sua frustração,
de quando em vez ainda sinto a mão levantada e a estalada na cara,
o encontrão contra a parede, o pontapear contra o chão,
o soquear sôfrego sem respirar,
e de repente eu sossego, cansada de me debater, de tentar ripostar e defender
de uma força maior, um ser animalesco em que transfigura.
Assoma outra figura, sem alma, sem coração, sem humanidade.
Não pára, não estremece, mesmo contra um corpo inerte.
Largo-me, esqueço-me e tento escapar-me dali.
Falo baixinho dentro de mim, se me esquecer de mim, não sinto, não sou eu.
Vou embora para longe deste drama, deste espaço, de mim e deste ser que permito que habite em mim.
E assim esmoreço, e fico sem acção, mas não parece fazer efeito...
o coração a bombear mais lentamente, porque parti, mas o corpo continua a sentir,
só mais tarde, tarde demais, pára, e ainda assim não se sente satisfeito,
ainda vem aos repuxos apostar em mais investidas.
e tenta ainda ofender mais verbalmente, porque o físico apenas não é suficiente.
eu ali, quieta, a pensar baixinho, se não lutar talvez volte a ser humano e pense que é cruel,
bater em quem não se defende sequer... e fico sossegada a sentir na pele a força da impunidade.
sem qualquer pudor, nem temor.
até se cansar, até se fartar.
e foi assim muitos dias, muitas noites, muitos, muitos.
assim puro e duro, sem contornar, sem doirar.
de quando em vez ainda sinto tudo,
mas só de quando em vez.
porque o muito de vez em quando, já passou.
de quando em vez ainda salto do carro em andamento,
de quando em vez ainda tento escapar,
de quando em vez ainda sinto aquele rosnar feroz,
aquelas faíscas no ar, e o rugir do monstro,
de quando em vez ainda sinto a sua raiva, a sua frustração,
de quando em vez ainda sinto a mão levantada e a estalada na cara,
o encontrão contra a parede, o pontapear contra o chão,
o soquear sôfrego sem respirar,
e de repente eu sossego, cansada de me debater, de tentar ripostar e defender
de uma força maior, um ser animalesco em que transfigura.
Assoma outra figura, sem alma, sem coração, sem humanidade.
Não pára, não estremece, mesmo contra um corpo inerte.
Largo-me, esqueço-me e tento escapar-me dali.
Falo baixinho dentro de mim, se me esquecer de mim, não sinto, não sou eu.
Vou embora para longe deste drama, deste espaço, de mim e deste ser que permito que habite em mim.
E assim esmoreço, e fico sem acção, mas não parece fazer efeito...
o coração a bombear mais lentamente, porque parti, mas o corpo continua a sentir,
só mais tarde, tarde demais, pára, e ainda assim não se sente satisfeito,
ainda vem aos repuxos apostar em mais investidas.
e tenta ainda ofender mais verbalmente, porque o físico apenas não é suficiente.
eu ali, quieta, a pensar baixinho, se não lutar talvez volte a ser humano e pense que é cruel,
bater em quem não se defende sequer... e fico sossegada a sentir na pele a força da impunidade.
sem qualquer pudor, nem temor.
até se cansar, até se fartar.
e foi assim muitos dias, muitas noites, muitos, muitos.
assim puro e duro, sem contornar, sem doirar.
de quando em vez ainda sinto tudo,
mas só de quando em vez.
porque o muito de vez em quando, já passou.
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