quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Carrossel

Se um dia pudesse parar,
parar de procurar,
de escavar,

em mim, nos outros,
em poucos,
ou muitos,
o que me falta a mim,
que nunca vou encontrar em outrém,
aqui ou além.

onde quer que vá
com ou sem chá
aldeão ou beto,
tarde ou cedo,

muda a flora,
muda a fauna,
muda o tempo

mas nada muda cá dentro,
a ilusão do onde,
o espaço grande ou pequeno,
perto ou longe,
bonito ou feio,
não há meio,
nada é certo

fecho os olhos,
e imagino que estou aqui,
onde estou,
sem que nada mude
são imagens aos molhos,
que ninguém se lembrou,
não gosto de ti,
aflora sem temor,
porque já não sinto mais dor,

consigo viver sem sentir
parece dificil mas é a sorrir,
não interessam sentimentos,
acabaram os lamentos.

nas veias sinto a adrenalina,
em alguns dias,
alimento-me de paixões,
de conquistas fáceis
que satisfazem o ego...

moldo o barro à minha medida
já não há ninguém para toda a vida,

quero sossego,
saem-me tolos e instáveis,

páro e penso, jamais
hoje aprendi,
amanhã já esqueci...

e o carrossel volta a tocar,
volta a correr,
e tudo volta a acontecer!
e vai ser sempre assim...



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