Olá estranho,
Porque és desconhecido, também és estranho.
Normalmente este binómio é coincidente. Mas tal como há coincidências também existem divergências.
Encontro desconhecidos, que não estranho nada, e encontro autênticos estranhos em conhecidos.
Eu por exemplo sou um bocadinho estranha, e conheço-me relativamente bem.
Já era tempo de me conhecer melhor, mas enfim, a descoberta vai sendo gradual e às vezes até surpreendente.
Entre desconhecidos e estranhos, em conjunto ou separados, surgem rostos e personalidades associadas. Encontro-te em alguns rostos e personalidades, mas a cada momento, me desiludo. Nunca és tu na íntegra, apenas partes de ti!
Por um lado, vejo-te de uma forma tão simples, e pareces-me tão fácil existir.
Por outro lado, a cada rosto, a cada personalidade que conheço pareces ainda mais distante, cada vez existes menos nos outros.
Existem gestos, semblantes, manias, gostos, tanta coisa, e meço cada coisa no momento certo, e surge-me sempre aquela imagem da cruz vermelha, não, não é isto.
Sinto-me quase ao nível do projeto de encontrar o pé certo para o sapato da cinderela, mas aqui não é um reino, aqui é um universo, e até a cinderela teve que aparecer no baile para ser notada.
Mas tu não, és reservado, conservador e possivelmente não gostas de confusão, o que te coloca mais distante ainda de nos cruzarmos.
Tanta modernice, já quase ninguém fica perdido neste mundo se quiser encontrar o quer que seja.
No entanto, é conveniente saber o que se quer encontrar.
Talvez seja isso, tenho que definir bem o "scope" deste projeto, tenho que te conhecer bem para te encontrar, conta-me tudo.
Sei que provavelmente também estás angustiado, feliz, mas angustiado com este tema, tudo o resto é óptimo, mas ficaria melhor se nos encontrássemos, e juntos partilhássemos tudo o que temos de tão bom, e mau, e mais ou menos.
Por vezes penso que se calhar não existes, mas isso faria-me desistir de ti.
Não desisto de nada, só se desistir da vida, mas acho que a vida não desiste de mim, já pensei que sim, mas ela agarrou-me bem. Portanto tenho que lhe dar oportunidade.
No fundo, quis que eu acreditasse em mim, acreditando em mim, faz com que acredite em ti também, porque para mim a vida só faz sentido, quando envolvida com a vida de outras vidas. Não te é exclusivo esse papel, a minha família que inclui os meus filhos, está no top, os amigos idem, e o trabalho e o prazer que retiro do sentimento de utilidade, faz-me persistir no cansaço de que resulta dessa dedicação.
Sou bastante rica, tenho interesses vários, e tenho vontade e desejo de fazer coisas, e de realizar algo que faça diferença, daí sinto que tenho uma vida intensa, e bastante preenchida.
Mas...fazes-me falta!
Ainda há espaço, cada vez menos, mas ainda há espaço para ti. Anda, cá te espero.
Não te atrases muito, odeio esperar!
Ainda não te sinto perto, mas sei que estás na mesma estrada que eu, é apenas uma questão de tempo.
Entretanto, temos que ir aproveitando todas as experiências que o caminho nos coloca.
Aguardo por ti, porque sei que és tu o tal, mas estou aqui a viver aquilo que a vida me permite usufruir de melhor.
Aproveita também para te divertires e aprenderes mais, só assim estarás preparado para mim, só assim conhecendo-nos melhor, vivendo o melhor, conseguiremos encontrar-nos sem existirem dúvidas.
Com carinho,
M.a.s
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