Tenho andado a pensar,
A observar,
A explorar,
Porque é que me dói tanto o passado?
Porque é que sendo passado continua presente?
Porque é que carrego angústias tantas?
Sinto que fui roubada,
explorada
abusada
esventrada
E que o responsável não sofreu consequências pelo roubo e exturpo.
Tudo isto seria suficiente para odiar,
para lutar,
para raiva
para furia,
para tristeza,
mas não é isso que sinto a todo o momento,
ás vezes sinto tudo,
mas o sentimento que persiste,
é o sentimento de perda...
esse sentimento que me revolta
é o sentimento de não voltar a ter
o sentimento que me preenchia...
que me embevecia
que me fazia sentir especial
não é a pessoa em si,
é o sentimento que nutria
que me fazia sentir que tinha o que mais ninguém atingia.
se agora tenho mais,
sinto que valorizo pouco,
e tudo fica aquém,
continuo a comparar sentimentos
e continuam os lamentos...
vejo histórias de amor
sinto a frustração
de a minha se ter transformado em horror.
perdi o tempo,
perdi o momento,
sinto que fiquei sem pé,
e sem fé...
já não vou a tempo
a idade não perdoa,
e a maturidade usurpou o lugar,
à diversão desmedida.
Por vezes sinto saudades da loucura,
mas não da procura,
o tédio tomou o pódio,
a descrença convidada principal,
e o cansaço apoderou-se da taça anual.
Mas não existe ódio,
Apenas um navegar sereno,
mas não em pleno.
A vida dita as regras e contenta-se
com menos mas melhor,
e sustenta-se,
e já não espero o pior.
Sem comentários:
Enviar um comentário